Não pediste que eu ficasse tampouco que fosse embora. Já não sei o que sinto tampouco o que penso. Queria eu ser resistente e não fraquejar aos teus toques. Queria, ainda, te dizer: arruma tuas coisas, põe na mala. Já que o destino te levou de mim, ou, se eu acreditei nessa impossibilidade de te ter, é hora de ir embora. Existem muitos amores, afetos e carinhos me esperando, e a você, só desejo que tenhas paz. Se o maior dos dons é amar, eu te digo: continuo te amando das mais variadas formas, como amante e vigilante, como poeta e mendigo, te amo até se possível, sem coração. Queria te querer sem medo, ou até mesmo sem nada. Sem amor, principalmente.
domingo, 27 de novembro de 2011
Sem hora, Sem tempo
Não pediste que eu ficasse tampouco que fosse embora. Já não sei o que sinto tampouco o que penso. Queria eu ser resistente e não fraquejar aos teus toques. Queria, ainda, te dizer: arruma tuas coisas, põe na mala. Já que o destino te levou de mim, ou, se eu acreditei nessa impossibilidade de te ter, é hora de ir embora. Existem muitos amores, afetos e carinhos me esperando, e a você, só desejo que tenhas paz. Se o maior dos dons é amar, eu te digo: continuo te amando das mais variadas formas, como amante e vigilante, como poeta e mendigo, te amo até se possível, sem coração. Queria te querer sem medo, ou até mesmo sem nada. Sem amor, principalmente.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Nostalgia
Sempre fiz questão pelas coisas que demorei a conquistar na vida, e sempre chorei a dor de ter que deixá-las ir embora. Me recordo dos planos, metas e ilusões de um mundo totalmente nosso, onde éramos os donos e as outras pessoas meras espectadoras, onde podíamos ser quem quiséssemos ser, onde o futuro era palpável. Um tempo revestido de promessas, de "nunca vamos nos separar". Mas, à medida que o tempo passa nós crescemos e mudamos, e nos separamos. Uns, pela distância contada em quilômetros, outros, pela distância da alma, no qual é bem mais difícil de ser alcançada. Recordo-me ainda de tantas trilhas sonoras que se fizeram e ainda se fazem presentes na minha vida. Me lembro bem que o cheiro de nossas almas era sentido à distância, e só de saber que estávamos ali era suficiente para o mundo inteiro aplaudir nossa união. A sensação que tenho hoje é de que estou sentada no banco dos réus esperando a sentença ser pronunciada, e o seu argumento está fundamentado na saudade, que não tem pena de nada e nem de ninguém, e eu fui apenas mais uma vítima. A nossa liberdade bastava para sermos felizes. A nossa insanidade era perdoada. Tantos choros, risos, raivas, encontros, desencontros. Tanto afeto, carinho, amor, lealdade, irmandade, companheirismo. Tudo isso foi se perdendo com o atravessar de pontes. E hoje, quanta saudade! O tempo passa isso é fato, e com isso passamos junto com ele. Somos obrigados a traçar novas metas, fazer novos planos, ir à busca de um futuro menos fantasioso, que esteja mais perto da realidade possível. Estamos em um nível que é tudo ou nada. Que pensamos duas vezes antes de fazer alguma coisa. Que o medo do futuro não palpável não leve o que restou de mais bonito e sagrado daqueles dias. A essência precisa ser preservada.
Diante de tantos momentos vividos e outros tantos arrancados de mim, faço minha as palavras desse grande cantor e indiscutível compositor, Renato Russo: O futuro não é mais como era antigamente!
(Dedico ao meu 3º Ensino Médio)
Saudades!
(Dedico ao meu 3º Ensino Médio)
Saudades!
segunda-feira, 25 de julho de 2011
...
Hoje me sinto ausente de lutas. Já perdi o bastante para acreditar na realidade nua e crua que se apresenta a mim. Deixei para trás pequenas coisas que ousei colocar como ponto principal e único na minha vida. Já morri o que tinha de morrer para aprender que bater de frente com um punhado de realidade dói. Por numerosos momentos quis te dizer o quanto te amava e te queria sem alarde, como e porquê, pro resto da minha vida, mas o medo assim como a realidade, eram presentes. Recurvar o corpo e voltar ao ponto que dei início era uma tarefa quase impossível, pois não sabia quando teria coragem de novo a dar um segundo, um terceiro, um quarto passos. É lamentável o estrago que isso causou. Era mais forte que eu, e o constrangedor era saber que eu sabia e nada fazia para tentar ao menos mudar de posição. Outros dizem: tem amores que só são amores porque são ocultos. Mas, me recuso a acreditar nisso. Tem amor que só é amor se tiver a mesma força e vida que o meu, e desde já peço desculpas a quem ler. Cansei de inventar estradas, situações, e até mesmo uma possível convivência mais séria entre nós, no qual se desfez com um triste e angustiante desviar de olhos. Fugir para mim era a palavra mais concreta, no entanto, as forças das pernas não eram suficientes para que isso acontecesse. Te xingar passaria a ser então o modo de demonstrar um amor esculpido pelo medo e arquitetado pela raiva. Procurei entender o porquê, mas não o fiz. Recobrei a mente, revi minha postura e sai do transe. Leva o casaco esquecido e o teu gosto, que já não preciso deles.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Ságena
Seria mais sensato acreditar no que vejo, do que no que imagino que possa ser. Em contrapartida, me deparo com pensamentos que ensaiam verdades ocultas e adornos que enfeitam com bandeirolas cada fio solto dentro das verdades. Foi assim que me senti quando coloquei os pés para cima aliviando o cansaço de mais um dia. Teu sorriso se lançava a mim feito um canhão desgovernado, deixando estilhaços por toda parte. Senti a sensação de degustar sem dó e nem piedade, um gole puro e quente de uísque. Dancei. Dancei até a alma se sentir machucada. Fiz poesia com a dor, aliás, freqüentemente era necessário transformar tristeza em dança. Maldito subconsciente, fraco, pálido e devasso que me põe entre becos sombrios me fazendo acreditar no escuro que vejo e tapando a luz no fim do túnel. Quanto à sensatez, prefiro fechar os olhos e deixar tudo como estar. Cantei. Dizem que quem canta seus males espanta, ou melhor, cantar é desvendar e revelar o mundo com uma combinação de desarranjos e solidão. Sentimento agudo e vadio, que perdeu sua vivacidade à maneira insensata de viver somente entre sonhos e utopias.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Desvarios
Vasculhei a agenda telefônica a procura de alguém que me pudesse ser útil naquele momento, para tomarmos um bom vinho e jogarmos conversa fora. Com o polegar direito passei contato por contato - mas, como era de costume fui traída pelo o indicador, que não indicava apenas o que eu estava procurando, mas também o início da minha loucura. Eu sabia quem sempre era útil nos momentos de devaneios e por insistência sempre tentei buscar um novo rumo. De súbito larguei o aparelho, peguei o casaco e saí. Andei alguns metros prestando atenção na neblina que caia sob a minha frente, mas que só era percebida pelas luzes dos postes que sempre ficam intactos, e não sofrem nenhum curto circuito ao colidir com as gotas de água que caem do céu. Senti uma palpitação descontrolada e uma vontade inexplicável de ir naquele lugar. A neblina me despertou pensamentos e momentos vividos a pouco mais de seis anos. Ah! Deus! Como eu lembro! Éramos tão jovens e insanos, que sempre fazíamos promessas de nunca nos separarmos, e não acreditávamos que o tempo um dia nos tornasse tão frios, sem planos e vítimas de uma época tão prazerosa. Caminhei apressadamente para o café que ficava a dois quilômetros de onde eu me escondia, na ilusão de ali encontrar quem minha intuição indicava. Olhei para o interior daquele ambiente e vislumbrei de cabeça baixa, segurando o vinho mais pedido da casa, o chateau, o veneno que sempre me corrói e me restaura. Tremi dos pés a cabeça, senti minha corrente sanguínea palpitando de tanta adrenalina. Quis voltar correndo, só que nessas horas (como também já era de costume), fui mais uma vez traída pelas emoções, confundi com a que dizia para ir embora e abri a porta. Fiquei ali, parada, sem saber o que fazer. Imediatamente levantou os olhos e veio em minha direção para cumprimentar-me. Esperei qualquer tipo de expressão, mas nunca essa: eu sabia que você viria. Naquele momento senti minha alma desmaiar ali mesmo, e ninguém para socorrê-la. Não senti nenhuma parte do meu corpo, apenas as batidas do coração, que ecoava pelo ambiente inteiro. Sentamos. Para aquele momento o vinho que cairia bem era um tinto seco, mas resolvi pedir o suave, de seco bastava minha garganta. Penetrei meus olhos naquela taça e pude ver através do vinho os seus direcionados a mim. Tomei o fôlego, controlei-me, ergui a taça e disse: a você. Não hesitou, também ergueu a taça e disse: a esse lugar, a nós. Mais uma vez, o mundo parou, as pernas tremeram e o que se escutava era apenas o eco das batidas do meu peito. O efeito do vinho já corria pelas veias, assim como nossas risadas atingiam cada metro quadrado daquele lugar. De repente as risadas pararam e deram lugar a um silêncio constrangedor. Ele arrastou sua cadeira para perto da minha, passou seu braço por cima do meu ombro e enfiou a mão entre os meus cabelos. Nos beijamos ali mesmo, desesperadoramente. Lá fora a neblina dava lugar a uma tempestade que apontava no leste. Uma rajada de vento invadiu meu quarto arrebentando a janela e me molhando toda. Pulei da cama como quem pula de salto em distância. Com a respiração ainda ofegante acomodei-me no canto do quarto, olhei de um lado para o outro: era tudo um sonho.
sábado, 30 de abril de 2011
Singular
Entre um gole e outro de uma bebida que esqueci o nome, talvez pelo o efeito que já está inteiramente vivo nas minhas veias, pude notar a inquietude dos meus sentidos quando penetrei os meus olhos num espaço vazio, numa pequena cavidade, que de tão pequena ainda me sinto refém, sem saber o ponto de chegada e o ponto de partida. Jogaria milhares de cores no ar para achar o listrado amarrotado do teu peito, e te dar ansiosamente o sentimento que vive se escondendo por trás de uma pequena garrafa de etílico. Não é minha culpa se os acontecimentos produzidos por efeito do álcool mostre o que está em sua totalidade reprimido por uma voz muda, que grita, mas lhe falta o som. Me sinto amante por um amor que disfarça o cansaço numa boa conversa de fim de tarde, e jura promessas mal feitas, perdidas no pronunciar trêmulo de cada palavra. Te possuir seria beber um gole puro de veneno e não enxergar o que está a dois palmos do meu nariz. Atordoada eu permaneço atenta por um silêncio que fala, que me expulsa e me abraça. Quantas guerras terei de vencer, quantos leões terei de matar, para te mostrar que basta olhar de um lado para o outro da rua e atravessar? Que eu não estarei entrando em nenhum lugar, mas saindo de todos os outros. Te filmaria em câmera lenta pra não perder um segundo da tua alegria - e ver detalhes que em vida corrida eu não veria. Com todas as palavras feitas pra humilhar te digo: vem, trás o vinho que o jantar está pronto.
domingo, 24 de abril de 2011
Joguete de Palavras
O vento frio que descuidadamente embaraçava-lhe os cabelos também se fazia refém, parafraseando metáforas que o intimidava. Delicadamente segredos eram soprados à beira do ouvido, e mudados consideravelmente de acordo com o ritmo do vento. Tentei ter a mesma sutileza para entender o que se passa nessa inquietude de sentimentos, e, sofrimentos, mas em troca, como era de se esperar, o que pude vislumbrar foi uma deliciosa rajada de poeira que me cegou por instantes. Confesso que nesse momento um incomodo se prostrou diante de mim e na inquietude dos olhos, imediatamente pude perceber, que não podia mais contemplar o vento que soprava metáforas à beira do ouvido. Revestí-me de uma medida incalculável de raiva e sem cerimônia pus minhas mãos bruscamente sobre os olhos. O que não posso ver é o que me faz viver. O vento traz implícito em si um desejo que sempre foi meu, o de te afagar. Um desejo que emudece as minhas cordas vocais e paralisa as minhas pernas. Certamente eu jogaria as palavras de um lado para outro da boca e não conseguiria dizer absolutamente nada. Em virtude disso também me faltaria as palavras quando, se não o meu, outro afago te acariciasse. Mas já aprendi a vestir a armadura e ter voz ativa nesse jogo de marionetes.
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